Censo desatualizado: grande problema das previsões de Safra

As previsões sobre a safra do café são divulgadas anualmente e têm grande importância para o planejamento, tanto da iniciativa pública quanto privada, e influenciam diretamente as decisões estratégicas. No entanto, apesar das modernizações metodológicas dessas previsões, produtores e empresas privadas ainda questionam os números apresentados.


Com o objetivo de esclarecer como são mensurados a previsão da safra, representantes da Secretaria Estadual de Agricultura do Espírito Santo, Coopeavi, Conab, IBGE, Incaper, OCB-ES, Abic, Sindicafé entre outras entidades participaram de uma mesa redonda com produtores rurais de diversas culturas – especialmente de café – para esclarecer quais são as metodologias utilizadas, mostrando com transparência os desafios encontrados pelos órgãos e o que é preciso melhorar.


Questionamento do produtor

“Ninguém foi na minha propriedade saber quanto produzi de café, como vou acreditar nas previsões?”. Essa era a pergunta da maioria que estava participando do encontro, que foi respondida pelos representantes do IBGE, Lionório Lisboa e Mauro César Guimarães.


“É oneroso e inviável ir em cada propriedade fazer essa pesquisa, assim como a análise por amostragem não identificaria ao certo os resultados. Por isso, fazemos pesquisas subjetivas como a PPA (Prognóstico da Produção Agrícola) e o LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola)”, apontou Mauro César.


O analista do IBGE explica que são montadas comissões municipais e regionais com representantes ligados à agricultura local, que fazem uma prévia levando em consideração a produção do último ano, as peculiaridades regionais, entre os aspectos.


Os resultados dessas reuniões municipais são analisados a nível estadual e nacional. “Ou seja, não é uma aposta, são pessoas que conhecem o cenário local que ajudam em uma parte da previsão, e quando algum dado é muito discrepante, esse resultado volta para a comissão fazer uma reavaliação”.


Esses dados ajudam a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) fazer o levantamento da safra de café, que tem parceiros na maioria dos Estados produtores e os agentes que prestam as informações em nível estadual e o resultado final é de responsabilidade da Conab. A periodicidade é quadrimestral.


Onde mora o problema

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio de Café em Geral do Estado (Sindicafé), Luiz Antônio Polese a metodologia na pesquisa é ótima, o que precisa melhorar é a base.


A fala de Polese é explicada por Romário Ferrão, do Incaper, que foi certeiro ao apontar onde mora o problema. Segundo ele, os cálculos feitos por instituições como a Conab levam como base mapeamento terrestre feito pelo último Censo Agropecuário realizado em 2006.


“Essa pesquisa acontece a cada dez anos, mas é fato que muita coisa mudou desde 2006, ou seja, estamos tomando como base dados desatualizados e isso acaba comprometendo a previsão de safra”, disse Ferrão.


Falta de verba para Censo 2016

O próximo Censo Agropecuário deveria ter sido realizado em 2016, mas o IBGE foi obrigado a adiar e cancelar pesquisas devido a cortes no orçamento de 2015. O instituto assegurou para o ano que vem a dotação dos recursos necessários à preparação do Censo Agropecuário 2016, que vai a campo a partir de abril de 2017.


O Censo Agropecuário coleta dados sobre os estabelecimentos agropecuários e as atividades neles desenvolvidas, obtendo informações detalhadas sobre as características do produtor e do estabelecimento, bem como sobre a economia e o emprego no meio rural, no que diz respeito à agricultura, pecuária e agroindústria.

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